• 22 out 18

Perdoar a traição

É possível perdoar uma traição, virar a página e reconstruir a relação?

Por: Olga Tessari
  • É possível perdoar a traição?

     

    E quando o assunto é o perdão, a capacidade de reconstruir o relacionamento após uma infidelidade vai depender de uma série de fatores, ligados à postura de ambos os envolvidos após o ocorrido. A tendência para a vitimização do traído, que diz ter perdoado, mas recorre ao fato a todo instante, é uma das atitudes capazes de destruir a relação de vez, segundo alerta a psicóloga e escritora Olga Tessari.

    Entrevista com © Dra Olga Inês Tessari

     

    Perdoa-me por me traíres

     

    “É comum que a pessoa não se conforme com a traição e continue a adotar o papel de vítima, mesmo depois do perdão. Porém, isso só dificulta mais a reconciliação. É importante pensar que ambos têm uma parcela de culpa no fato. Só assim haverá um desejo mútuo de reconquista e, então, a página poderá ser realmente virada”, afirma Olga Tessari.

    Outro erro corriqueiro nos processos de reconciliação ocorre quando o casal envolve outras pessoas nas suas decisões. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho podem acabar atrapalhando ao tentar ajudar. Para tanto, vale o velho ditado: “Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

    “Muitas vezes, os conselhos só servem para aumentar mágoas e conflitos. O casal deve tentar virar a página sozinho, mas, caso não consiga, o ideal é procurar uma ajuda profissional”, alerta Olga Tessari.

    Já entre os que procuram equacionar liberdade e compromisso, como bradou Raul Seixas em suas canções “A Maçã” e “Medo da Chuva”, o mais importante, segundo especialistas, é reconhecer se ambos realmente concordam com a premissa de uma relação aberta. Muitas vezes é comum que um dos envolvidos aceite o acordo apenas “entre aspas”, motivado pela pressão do parceiro.

    “No caso das relações abertas, vai depender de como o casal lida com a decisão. Em geral, eles até contam um para o outro e aproveitam a experiência para melhorar a relação. Mas é preciso que o acordo seja muito bem resolvido para não haver arrependimento depois”, disse Olga Tessari.

     

    Matéria publicada no Jornal Pampulha – Semanário de Belo Horizonte – Edição 104